quinta-feira, 18 de março de 2010

Árvore

Apareço por aqui para escrever sobre as últimas desventuras. O carro não voltou a avariar – boa – a chuva deixou de cair – great – a casa, aos poucos, vai ganhando o meu cheiro, o cheiro da minha terra, o cheiro dos caminhos que percorro quando não estou aqui, o cheiro do meu chão onde eu pudesse espalhar pequenas sementes que um dia, quem sabe, se tornassem raízes profundas como as da árvore que sombreia a casa que ainda é minha mas da qual agora só posso sentir saudade.
Olho através da janela e vejo árvores valiosas que aos poucos rejuvenescem com a chegada da primavera anunciada. Delineio as estórias de quem por aqui passou sem se dar conta destas fiéis espectadoras de enredos, tramas, romances… vidas que por aqui passaram, e já são muitas, e que fazem com que este local seja o que exactamente é, e não outro qualquer.
Os lugares são feitos pelas pessoas que os habitam e por todas as outras que os habitaram e que partiram, mas que permanecem na memória de alguns, ou no caso de uma simples árvore aqui plantada… quem terá plantado esta árvore? O que estaria a pensar quando a deu à terra? Lembrar-se-ia, por ventura, que a sua árvore iria viver muito mais tempo do que ele? Quem dela tomará conta? Quantos olharão para ela e a contemplarão como um monumento, um elogio à própria mãe natureza… o dia da árvore vem aí… e é com orgulho que digo que já plantei algumas!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Thought for the day...

A amizade não é como o petróleo, que é caro e se esgota e se vende em bombas self- service. A amizade é como uma torneira aberta, corrente de ar. Toma lá, aceita o meu presente, deposito-o nas tuas mãos, ajuda-me a merecê-lo.

José Luís Peixoto in JL 28 Janeiro 2009 (nº1000)

quarta-feira, 10 de março de 2010

Um poema que me ficou na memória dos bons velhos tempos...

S. Leonardo de Galafura


À proa dum navio de penedos,
A navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.
Ancorado e feliz no cais humano,
É num antecipado desengano
Que ruma em direcção ao cais divino.


Lá não terá socalcos
Nem vinhedos
Na menina dos olhos deslumbrados;
Doiros desaguados
Serão charcos de luz
Envelhecida;
Rasos, todos os montes
Deixarão prolongar os horizontes
Até onde se extinga a cor da vida.


Por isso, é devagar que se aproxima
Da bem-aventurança.
É lentamente que o rabelo avança
Debaixo dos seus pés de marinheiro.
E cada hora a mais que gasta no caminho
É um sorvo a mais de cheiro
A terra e a rosmaninho!


Miguel Torga in Diário IX

segunda-feira, 8 de março de 2010

Alentejo

A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...


Miguel Torga, 1974, in

"Antologia Poética"

quarta-feira, 3 de março de 2010

Pensamento do dia...

Aprendemos a voar como os pássaros, a nadar como os peixes; mas não aprendemos a simples arte de vivermos juntos como irmãos.
(M. Luther King)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pensamento do dia...

A vida é em geral alegre. O que nos torna injustos em relação a ela é que a alegria não é recordada. Ao contrário, a inquietude, essa, permanece.
(Paulhan)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010